A história da Esquina do Fuad  começa em 1966, quando, já saturado de trabalhar como analista de créditos para uma fábrica de máquinas de costuras, Fuad Sallum, paulista descendente de libaneses, nascido em Monte Azul e vivendo em São Paulo desde 58, ficou impressionado com o bom movimento de uma lanchonete na rua Martim Francisco.  Era a Kent’s Lanchonete, inaugurada dois anos antes, que ficava em uma esquina privilegiada do bairro de Santa Cecília.

    

    Fuad sentiu que poderia ser um grande negócio, ainda que nunca tivesse trabalhado com gastronomia. Com coragem e visão empresarial, acertou pagar tudo em 36 meses e se tornou o dono da lanchonete. Em 72, já era dono do prédio.

 

   Por muitos anos, a Esquina Grill do Fuad foi um dos raros lugares de destaque na região. Fuad era apaixonado pelo bairro e tinha um famoso jargão: “aqui não é Higienópolis, nem Baixo Higienópolis. Aqui é Santa Cecília!”.   Ou seja, bem antes do bairro de Santa Cecília se tornar um point de bares, restaurantes e bistrôs que é hoje em dia, a Esquina Grill do Fuad já era um concorrido boteco-bar-restaurante da Cidade.

 

   Após a morte de Fuad, aos 75 anos, em 2013, era praticamente impossível continuar sem o carisma e a competência do fundador. Mas a filha, Lilian Amaral Sallum, que frequentou a casa desde pequena e trabalhou muitos anos ao lado do pai, resolveu assumir o empreendimento, ao lado da mãe, Maria Linda Maia Sallum. Recentemente a casa passou por uma reformulação. As cadeiras e mesas de plástico foram substituídas por móveis de madeira, belas toalhas de mesa foram colocadas e o espaço interno passou por uma repaginação, ganhando um ar mais clean e elegante, sem perder a identidade. 

   

Senta, pede uma cerveja, que lá vem história

O público adora sentar nas mesas espalhadas pelos dois lados da esquina. Essa área externa costuma ser a primeira a lotar. A casa tem sido cada vez mais procurada para o almoço e o jantar. No cardápio, pratos generosos, sanduíches e porções. (Um fato curioso: os pratos executivos podem ser pedidos até mesmo à noite.)

   Entre os pratos mais concorridos, destaque para a picanha Saralho (porque, segundo dizia Fuad, era temperada só com “sar e alho”), a Picanha à Ronaldo (provada e aprovada pelo artilheiro dos campos e dos pratos), o Filé à Cubana, a Fraldinha Acebolada, o Chuletão e a Chuleta Brasileira, além de porções como o excelente bolinho de arroz, e a sanduíches o Beirute. Aos sábados há uma concorrida feijoada.

   A casa é frequentada por pessoas que vivem ou trabalham na região, famílias, jovens descolados e muitos turistas, especialmente estrangeiros, atraídos pelo astral da casa (hoje são raríssimos os clientes que vão ao local apenas para bebericar alguma coisa).  No almoço de segunda a sexta-feira, o público é basicamente formado pelas pessoas que trabalham ou mesmo vivem na região de Santa Cecília e Higienópolis. Já à noite e, principalmente, aos finais de semana, há muitas pessoas de outras regiões da Cidade.

   O salão interno, repleto de imagens de Fuad Sallum, é frequentado pelo público mais maduro e, claro, o local preferido por muitos durante o inverno.  Entre as novidades para marcarem os 50 anos desse local foi adquirido um estacionamento próprio e, agora, ao final de maio, foi inaugurado um Parklet. É um presente para Santa Cecília e para São Paulo.

   Outra novidade foi a criação de um novo logotipo, onde Fuad é a figura central. Por mais que a casa cresça e por mais que o tempo passe, Fuad será sempre o centro de tudo. Afinal, nada teria sido possível sem ele. E o espírito de buscar o sabor e o bom atendimento estará sempre presente.